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Uso de madeira de demolição e seus benefícios

5 de agosto de 2020

Solução oferece diversos benefícios, no entanto, deve ser adquirida mediante verificação da qualidade do material e certificação que atenderá aos requisitos da obra.

Por We Rocket Studio

Após a demolição de um imóvel, o reaproveitamento da madeira em outras obras gera benefícios que vão além de evitar a derrubada de novas árvores, poupando recursos naturais. A ação reduz a quantidade de resíduos acumulados nos aterros e facilita o acesso a certos tipos de materiais. É o caso, por exemplo, da peroba-rosa, que no passado foi muito utilizada na construção de casas — principalmente na região sul do país —, dormentes de linhas ferroviárias e nas cruzetas dos postes de transmissão de energia.

Quando essas estruturas são desativadas, a madeira pode ser retirada e enviada para abastecer diferentes mercados. Na indústria moveleira, é utilizada na confecção de objetos considerados de alto padrão, devido à textura singular causada pela exposição ao tempo. “A solução vem sendo aplicada para várias finalidades, desde móveis até componentes estruturais”, destaca Maria José de Andrade Casimiro Miranda, chefe do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

“Conseguimos reconhecer os tipos de madeira por meio da avaliação botânica pela anatomia do lenho”

Maria Jose de Andrade Casimiro Miranda

De acordo com a pesquisadora, antes do reaproveitamento, é importante identificar a espécie da madeira. Essa informação permite conferir se as propriedades e durabilidade das peças atendem aos requisitos da obra onde elas serão empregadas. “Conseguimos reconhecer os tipos de madeira por meio da avaliação botânica pela anatomia do lenho”, explica. Esses estudos são fundamentais por garantirem a segurança das construções que receberão o material proveniente de demolições.

“Nos casos em que a madeira tenha sido submetida a tratamentos químicos para obter maior durabilidade, como acontece com os dormentes, ela deve ser reutilizada de maneira criteriosa. É o caso da exclusão do seu uso em situações que envolvam o contato com alimentos e pessoas”, exemplifica Miranda. A dimensão das peças é critério que também deve constar na lista de análises prévias ao reaproveitamento, conferindo se estarão disponíveis nos tamanhos e formatos adequados para a nova obra.

VERIFICAÇÕES IMPORTANTES

“Independentemente do uso, é necessário sempre verificar se há sinais de apodrecimento ou ataques de cupins/brocas”

Maria Jose de Andrade Casimiro Miranda

No momento de adquirir a madeira de demolição, um dos principais cuidados é conferir suas condições. Se o objetivo for reaproveitá-la de maneira estrutural, deve apresentar bom estado de conservação. “Independentemente do uso, é necessário sempre verificar se há sinais de apodrecimento ou ataques de cupins/brocas”, recomenda a pesquisadora. Assim como a qualidade, o comprador precisa pesquisar a idoneidade do fornecedor e optar por empresas que sejam capazes de comprovar a procedência dos produtos.

Uma segunda verificação tem que acontecer no recebimento da madeira de demolição. O conselho para o comprador é realizar novamente uma análise do estado das peças, além de atestar que o produto recebido está em conformidade com aquilo que foi acordado com o fornecedor. “Madeira apodrecida ou com indícios de proliferação de insetos pode ser um critério para não aceitar a entrega”, afirma Miranda, lembrando que também é importante dar atenção para presença de pregos, conectores, tintas ou restos de concreto.

MANUTENÇÃO

Dependendo de como a madeira de demolição será reaproveitada, ela pode ou não receber algum tratamento específico. Antes de se transformar em móveis ou objetos de decoração, as peças normalmente passam por uma higienização, além disso, são lixadas e envernizadas. A manutenção também varia conforme a maneira como o material é utilizado. “Em geral, esse tipo de madeira necessita de cuidados simples, que mudam se ela estiver em ambientes internos ou externos”, comenta a pesquisadora.

Quando exposta ao sol e intempéries, o ideal é que seja revestida com verniz, sendo que essa proteção tem que ser renovada periodicamente. Em caso de mesas ou cadeiras usadas sem muita frequência, a opção é deixá-las cobertas para evitar o contato direto com a luz solar. Já em objetos que permanecerão nas áreas internas, a limpeza pode ser feita com pano úmido. “Dependendo do aspecto que o usuário preferir (rústico, com mais ou menos brilho), pode-se usar desde ceras até lustra móveis comum”, conclui Miranda.

COLABORAÇÃO TÉCNICA

Maria Jose de Andrade Casimiro Miranda – Possui mestrado em Ciência e Tecnologia de Madeiras pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Atualmente é chefe do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis, do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). É também professora convidada da disciplina de Sistemas Construtivos para Habitação, Inovação e Desempenho, no Curso de Mestrado Profissionalizante: Habitação, Inovação e Desempenho do IPT. Tem experiência na área de tecnologia de produtos florestais, com foco em anatomia e identificação de madeiras; propriedades físicas e mecânicas de madeiras/aplicações, e secagem e processamento mecânico.

Fonte: Portal AECweb