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Análise, Estratégia e Inovação – Indústria vs. Covid-19

28 de março de 2020

Com uma queda de 7,6 pontos no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sua margem ficou em 80,2 pontos, o menor valor desde janeiro de 2017 (quando chegou aos 78,3 pontos) e acumula perda de 11,4 pontos nos três primeiros meses de 2020. Essa análise é importante pois demonstra que no mês as avaliações sobre o presente  e as expectativas em relação aos próximos meses se deterioraram.Texto: Redação Revista Anamaco; Adaptação e Design: We Rocket Studio

Entre os quesitos que integram o ICC, o indicador que mede as expectativas sobre a economia para os próximos meses foi o que mais contribuiu para a queda da confiança, ao despencar 12 pontos, atingindo 104,9 pontos, o menor nível desde setembro de 2018 (100,6 pontos), patamar pré-eleições 2018.

Num cenário econômico mais difícil nos próximos meses, consumidores também preveem redução da oferta de empregos e uma piora da situação financeira das famílias. O indicador que mede as perspectivas sobre as finanças familiares caiu pelo terceiro mês consecutivo, com queda de 7 pontos, para 92,2 pontos, o menor desde junho de 2018 (91,5 pontos), período no qual a confiança foi impactada pela greve dos caminhoneiros.

A decisão dos governos estaduais de fechar o comércio – considerado não essencial – causa grande impacto. As ruas estão vazias. Se na ponta, o varejo de materiais de construção fechou, como estão os negócios nas indústrias do setor?

Alguns fabricantes optaram por suspender, temporariamente, as operações, mas outros decidiram manter as atividades. É esse o caso da Vedacit. Com unidades fabris em São Paulo e na Bahia, a produção está mantida. Marcos Bicudo, presidente da empresa, justificou a escolha dizendo que “Perante esse cenário de incerteza, a medida visa garantir a disponibilidade de produtos no mercado”.

Uma vez decretado estado de calamidade pública no país, para poder lidar com a grave situação, passou a ser obrigatório que as empresas se atentem às atualizações oficiais diárias, tanto aquelas emitidas pelos governos Federal e Estadual, quanto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), estipulando medidas que garantam a integridade de cada colaborador. Bicudo revela que assim foi o procedimento, desde o primeiro alerta, quando estabeleceu um comitê para isso, implantando diversas ações, revisadas diariamente, para preservar os profissionais.

Aqueles que conseguem administrar o trabalho por meio do home-office, assim o fazem. “Para aqueles que não conseguem se ausentar das posições operacionais, estamos dando todo o auxílio necessário à saúde dentro da empresa, inclusive fazendo ajustes na rotina de trabalho. Assim como cuidar da saúde das habitações é o nosso propósito, zelar pela saúde dos funcionários e de suas famílias sempre será nossa prioridade”, garante o executivo. Os colaboradores são também mantidos informados sobre a evolução do Coronavírus no Brasil bem como sobre a rotina de trabalho, através da empresa.

Datas de eventos foram alteradas devido à crise na saúde, muitos eventos que estavam programados para o primeiro semestre precisaram ser adiados. A 3ª Rodada de Negócios da Acomac Porto Alegre, que seria realizada entre os dias 12 e 13 de maio, foi reagendada e deverá ocorrer entre 04 e 05 de agosto.

Bicudo analisa que a construção civil deverá ser impactada de forma importante pela crise. Na sua avaliação, no curto prazo, haverá a desaceleração do consumo “formiguinha” e a postergação de novos projetos e investimentos tanto no setor imobiliário como nas grandes obras de infraestrutura. “A retomada sustentada do setor será adiada por, pelo menos, um ano. O trabalho agora é de muita colaboração entre todos os agentes da cadeia para manter as operações e as relações comerciais funcionando, ainda que num patamar reduzido. Seguramente, temos a capacidade e a resiliência para ultrapassar mais este desafio”, pontua.

Na capital paulista, as empresas Lukscolor e Luksnova, marcas de tintas imobiliárias e diluentes, decidiram produzir álcool 70% e estão fornecendo, gratuitamente, desde o dia 16 de março, para o Hospital Emílio Ribas e à Comunidade de Paraisópolis.

Os colaboradores da empresa também receberão o álcool 70% para atendimento aos seus familiares. A fabricação ficará a cargo de uma das plantas do grupo – a Luksnova -, fabricante de thinners, solventes e especialidades químicas, justamente pela expertise de mais de 70 anos no mercado.

“Passamos por uma fase de incertezas, mas uma coisa é certa: se fizemos uma história tão bonita ao longo desses 70 anos, foi porque sempre tivemos pessoas ao nosso lado. Pensando nisso e acima de tudo no coletivo, o Grupo Lukscolor / Luksnova tomou a iniciativa de produzir álcool 70% para oferecer aos hospitais, comunidades e entidades, para proporcionar melhor assepsia e colaborar com a saúde pública e bem-estar de milhares de famílias”, comenta Maria Potomati Fiuza, diretora da Lukscolor.

Devemos pensar de maneira positiva e aproveitar este momento, que logo passará, para tomar fôlego e retomar as atividades assim que for possível. Até lá, estamos atentos a qualquer oportunidade de orientar e auxiliar nossos associados e parceiros.